BH Bicifest – Segundo dia

Segundo dia de BH Bicifest, e eu novamente fiz a cobertura das duas mesas de debate da parte da manhã, a primeira delas com o tema “Bicicleta, inovação e dinamismo econômico” e a segunda com o tema “Bicicleta e a diversidade político-cultural.

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Uma das participantes da primeira mesa foi Elisa Nunes – Hotmart, que sem dúvida foi a fala que mais se assemelha com meu modo de pesar. Ela contou como sua atitude de ir para o trabalho pedalando motivou colegas de trabalho a adotarem a bike como meio de transporte, e como um bando de ciclistas pode fazer uma empresa repensar as vagas de estacionamento, o tamanho dos vestiários, número de chuveiros, escaninhos e muito mais. No lugar dela eu estaria muito orgulhoso de mim mesmo. Esse é meu mantra, incentive o uso da bike, seja exemplo e mostre que é possível se locomover de bicicleta pela cidade, se você conseguir influenciar uma pessoa já está dando uma enorme contribuição para o crescimento e a inserção da bike na cidade, o que gera demanda para que atitudes sejam tomadas.

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Outra fala legal foi a da economista Marina Rolim do Bicidéia, que abordou alguns aspectos econômicos da bike, fazendo um bom panorama entre carro e bike, número de pessoas que os setores empregam, a representatividade de cada um na economia nacional, impostos (carro tem alíquota menor que bike – PASMEM) entre outros aspectos. Eu particularmente não curto muito essa pegada de comparação entre carros e bikes, para mim é cada um na sua. Hoje é fato que a indústria automotiva gera mais empregos que a indústria das bikes, mas e dai? Prefiro me apegar ao fato de que a bike gera emprego, não importa se muitos ou poucos, além disso a bike não precisa gerar mais empregos que ninguém para ser usada ou para ter lugar nos deslocamentos urbanos.

Vejo a bicicleta como mais uma forma de se deslocar pelas cidades, é muito fácil enumerar uma série de motivos para andar de carro e uma série para deixa-lo em casa, com a bike é a mesma coisa. É uma questão de gosto e motivação. Bike não é o oposto de carro. Mesmo que os carros comecem a andar um sobre o outro continuarei andando de bike. Quem já usa a bike nos deslocamentos urbanos tem que tentar sempre influenciar outras pessoas a fazer o mesmo, temos que preocupar com aumento da bike sem nos importarmos se outro setor está crescendo ou encolhendo.

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Outra fala interessante foi a do Bruno Luiz de Oliveira da EcoBike Courier, uma empresa que faz serviços de entrega utilizando a bike como meio de deslocamento. É quase inevitável nesse caso fazer uma comparação com o serviço de moto frete que já vem sendo prestado há muitos anos pelos motoboys, mas ainda assim acredito que a comparação deva ser sempre evitada. Falou-se, claro, dos poréns dos serviços de moto frete, mas muito mais dos benefícios que a adoção dos serviços realizados sobre a bike podem trazer e dos valores que são agregados às empresas que os contratam. O contratante recebe relatórios periódicos informando dados que podem elevar seus parâmetros de sustentabilidade, como volume de CO2 que deixou de ser emitido pela adoção de um meio de transporte não poluente para realização de serviços externos. Essa é a pegada, enaltecer a bike!

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E para completar a primeira mesa, falou Lourdes Aguiar, representante da CDL – Câmara Dos Dirigentes Lojistas – e os dados apresentados são desanimadores. Todos os números que a CDL vem apresentando aos lojistas os fazem acreditar que seus clientes só andam de carro, que as pessoas que andam de bike são poucas e não compram nada.  Fiquei com os dois pés atrás com os números, parecia que haviam sido trazidos para tentar nos fazer acreditar que a resistência dos lojistas com a implantação das ciclovias era completamente plausível. Ficou para mim uma impressão que os lojistas do hipercentro acreditam que as pessoas quando querem comprar um metro de tecido em uma das lojas da Rua Guarani, se levantam do sofá, pegam a chave do seu carro, saem de casa, param na frente da loja onde querem fazer a compra, compram o que precisam, entram no carro e vão embora para casa feliz da vida com sua nova aquisição. Se a coisa funciona assim, eu não sou desse mundo, quando preciso ir de carro ao hipercentro a minha primeira preocupação é saber em qual estacionamento PARTICULAR eu vou colocar meu carro, procurar uma vaga para estacionar na rua nem passa pela minha cabeça. Sem nenhuma pesquisa sou capaz de apostar que a maioria das vagas de todo o hipercentro e adjacências são ocupadas todos os dias pelos mesmo carros.

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A CDL apresentou também números que mostram um número cada vez maior de pessoas que fazem suas compras exclusivamente em shoppings centers, eles sabem que as pessoas estão saindo das ruas e ainda assim acreditam que colocar uma ciclovia em frente a lojas vai atrapalhar o comércio (o comércio já está atrapalhado – e não é por causa das ciclovias que praticamente não existem). A ciclovia seria mais um motivo para mais pessoas utilizarem as ruas, mas não é vista dessa forma. A CDL acredita que para ter a ciclovia é preciso que os ciclistas comecem a entupir calçadas e ruas com bikes, que os biker`s entrem nas lojas, gastem e deixem bem claro que foram até lá de bicicleta, para só depois pensar na criação da ciclovia. A lógica reversa, de que a a ciclovia fará aparecer novos compradores, nem é cogitada. Enquanto isso vamos assistindo lojas e mais lojas fechando as portas e muita gente reclamando de crise econômica.

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A esperança é que, mesmo com uma posição ainda muito conservadora em relação as bicicletas e à construção de ciclovias, uma representante da CDL participou da mesa e pensa sobre o assunto, já é um avanço.

A segunda mesa, de maneira geral, falou sobre como as pessoas com pensamentos que giram fora do senso comum vem ocupando com muito sucesso a cidade, reestruturando parques, abandonando de vez o carro, criando hortas comunitárias e mostrando que acreditar em um ideal pode faze-lo prosperar, tomar corpo e fazer a diferença na vida de muitos.

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A experiência que mais me chamou atenção foi da arquiteta e ativista Claudia Vilela que simplesmente colocou a bike na sua vida para nunca mais tirar. Ela usa a magrela para tudo, inclusive para viagens em família com um filho pequeno. Acha que ela é doida? Pense melhor então. Colocar o filho no carro e pegar uma estrada apelidada de rodovia da morte não é loucura também? Acho que uma cicloviagem pode ser bem mais segura que uma viagem em automóvel quando bem planejada. Achei a experiência relatada sensacional.

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Todos pela bike!!

3 comentários em “BH Bicifest – Segundo dia

  • 7 de dezembro de 2016 em 17:01
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    ERRATA: trocaram meu nome!! A cicloviajante de bike que leva o bebe pra todo canto sou eu: Claudia Vilela, favor trocar, tirar Louise Ganz do último paragrafo! Linda cobertura,
    Grata

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    • 7 de dezembro de 2016 em 17:06
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      Mil desculpas! Atualizado.

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